Nas últimas duas décadas, a exemplo do que ocorre em solo norte-americano, o ambiente de negócios no Brasil tem sido invadido por modismos que prometem, por meio de receitas prontas e importadas, soluções mágicas para os problemas enfrentados por gestores e empresas. Neste quadro de modismos se insere a “onda da sustentabilidade”. Para além dos modismos e das apropriações indevidas, o compromisso da Mexirica também é o de compartilhar conhecimento com os seus parceiros e clientes, por meio de novas ideias, criações, inspirações e insights que formam uma nova consciência sobre uma nova relação com o consumo.  De acordo com o Dicionário Michaelis, sustentabilidade é um substantivo masculino que possui o significado de qualidade de sustentável. Ou seja, indica a condição, a situação ou o estado daquilo que é, ou que pode ser sustentável. Esse termo ganhou uso corrente e se tornou um termo conceito básico nas discussões sobre ecologia. Entretanto, na medida em que as conferências que seguiram após a conferência de Estocolmo em 1972 foram acontecendo, e os relatórios e documentos foram sendo produzidos ao longo das décadas de 1980 e 1990, uma crença foi sendo difundida por agências e estados ligados ao (IPCC) – Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, a de que afirmava a ineficácia da maioria das nações em compatibilizar desenvolvimento econômico e sustentabilidade. Os anos 2000 inauguraram o início de um novo século sob o auspício das previsões catastróficas relacionadas ao aquecimento global e às mudanças climáticas. Grande parte das projeções sobre uma possível mudança significativa na governança dos recursos naturais do planeta não se concretizou. De acordo com teólogo da eco-espiritualidade, Leonardo Boff, em função dos parcos esforços na política ambiental, principalmente por parte dos países mais ricos, o tom de cooperativismo presente nas décadas anteriores cedeu lugar às disputas ferozes. Os interesses econômicos e a força das grandes corporações suplantaram os interesses ecológicos e humanos comuns, diz Boff. Na arena das disputas pelos próprios interesses econômicos, onde se enfrentavam países e corporações, destacam-se três classes de países: (1) países ricos, altamente industrializados, que já esgotaram grande parte de suas reservas naturais, e por isso são atuantes pela causa da sustentabilidade; (2) países ricos, altamente industrializados, mas que ainda possuem grande potencial de exploração dos seus recursos naturais, por isso se recusam a discutir sobre sustentabilidade; (3) países pobres, de industrialização tardia, como é o caso do Brasil, que arrogam para si o direito de consumir e de explorarem seus recursos nos mesmos moldes dos países ricos. Neste cenário de disputas de narrativas em que pouco se fez de efetivo pela sustentabilidade, isso de acordo com o movimento ecológico, o conceito de desenvolvimento sustentável, paradoxalmente, passou a ser ainda mais utilizado. O termo continuou presente nos principais documentos, nas rodadas de discussões sobre o futuro da economia e o futuro do planeta, mas sem de fato gerar reflexão e mudanças significativas. Algo no sentido de contrariar ou interromper o fluxo do tão criticado modelo econômico degradante. O que de fato se constatou, é que até mesmo a ideia e o conceito de sustentabilidade foram cooptados pela racionalidade capitalística. Diante das constantes pressões vindas da sociedade civil organizada e de organismos nacionais e internacionais sobre os governos e sobre as empresas, criou-se uma “onda de sustentabilidade” que invadiu diversos setores. De modo especial, o setor empresarial começou a surfar na onda da sustentabilidade, motivado principalmente, pela criação de um novo nicho de “negócios verdes”, que em certos aspectos chegam até ser mais lucrativos, pois carregam consigo a chancela da sustentabilidade. Termos como, reciclagem, reaproveitamento, reutilização, natural, eco, bio... “isso”, bio... “aquilo” tornaram-se cada vez mais presentes no vocabulário e no ambiente do mundo dos negócios. Deste modo, de característica que define um estado ou indicação de como se manter uma condição, a sustentabilidade tornou-se uma chancela para se fazer novos negócios, e para tornar velhos negócios mais atraentes. Ao ser apropriada pelo mundo dos negócios, a sustentabilidade adquire uma variedade de formas de ser definida e utilizada. Em uma breve olhada nos manuais de administração, marketing e publicidade, é possível encontrar o termo vinculado a uma série de estratégias como: responsabilidade social, ética empresarial, estratégia de relacionamento, marketing institucional, endomarketing, estratégia de valorização dos produtos e estratégia de integração social. Via de regra, o fim último destas estratégias é sempre a maximização dos lucros. Observe o que diz Takeshy Tachizawa, um dos principais textos de referência da área de administração e gestão ambiental: “Ou seja, a gestão ambiental é a resposta natural das empresas ao novo cliente, o consumidor verde e ecologicamente correto. A empresa verde é sinônimo de bons negócios e no futuro será a única forma de empreender negócios de forma duradoura e lucrativa. Em outras palavras, o quanto antes as organizações começarem a enxergar o meio ambiente como seu principal desafio e como oportunidade competitiva, maior será a chance de que sobrevivam ”. Por outro lado, há pessoas e agências como, Amyra El Khalili , Sustain Ability , Instituto Ethos e Endeavor , que de fato são comprometidas com os ideais da sustentabilidade, e que a utilizam como uma espécie de commodity para atrair empresas e convencê-las da importância de agregar o princípio da sustentabilidade no modo de gerenciar seus negócios. Produzem pesquisas que demonstram a inclinação dos consumidores em relação à marcas e produtos relacionados à sustentabilidade. Por meio da promessa de vitalidade dos negócios e até de aumento da rentabilidade, algumas empresas se “conscientizam” e passam a praticar “negócios verdes”. A questão, é que há uma insustentabilidade destas estratégias e práticas geradas pelo modismo da sustentabilidade, que há médio e longo prazo virá à tona. Do mesmo modo como as contradições e as incoerências por trás da chamada consciência ecológica e da mobilização mundial em torno da questão ambiental se tornaram conhecidas ao longo das últimas décadas, a insustentabilidade do modismo empresarial sustentável também ficará exposto. Não é possível utilizar-se dessa característica socioambiental como um adereço ou como uma chancela para os negócios, sem se levar em consideração todas a implicações contidas nesta. Por trás da ideia de sustentabilidade há o pressuposto da interdependência funcional. Ou seja, o todo está relacionado e comprometido de tal forma que não é possível trocar ou ignorar um dos componentes sem que o bom funcionamento do sistema seja afetado. Quando se fala de ecossistema, de meio ambiente, não se está falando apenas de natureza, de fauna e flora. Mas está se falando do complexo de sistemas naturais integrados ao complexo de sistemas sociais. Se o todo a que se refere é o nosso planeta, biomas e sistemas sociais, e estamos tratando da sustentabilidade deste, de nada adiantará, pelo menos, não há longo prazo, ter um selo verde nos produtos fabricados e não se preocupar com as condições humanas, higiênicas e sanitárias dos colaboradores. Ou com uma jornada laboral excessiva que os impeça de continuarem os estudos, ou com o problema de alcoolismo e toxicodependência de alguns colaboradores, porque afinal, eles fazem uso da droga ou álcool fora de expediente e não faltam ao trabalho por causa disso. De nada adiantará, porque tal postura não é sustentável. Sustentabilidade está relacionada com um novo modo de pensar holístico, que leve em consideração o respeito ao meio ambiente, sem se esquecer de que no cerne de todo processo social de produção, distribuição, comercialização e consumo estão os seres humanos, que precisam ser considerados a parte mais frágil de toda essa cadeia de relações.   Para saber mais sobre o assunto, leia: BOFF, Leonardo. Sustentabilidade: o que é. o que não é. Petrópolis: Vozes, 2013. LAGO, Antônio; PÁDUA, José Augusto. O que é ecologia . São Paulo: Brasiliense, 1998. TACHIZAWA, Takeshy. Gestão ambiental e responsabilidade social corporativa: estratégias de negócios focadas na realidade brasileira. São Paulo: Atlas, 2002.   Deixe suas impressões, comentários, críticas e sugestões. A Mexirica que saber o que você tem a dizer.
27/07/2019
Muito tem se falado sobre consumir de forma mais ética, sustentável e ecologicamente correta. O lado positivo é que nunca antes estivemos tão preocupados com o que levamos para dentro de nossas casas e como isso afeta o nosso planeta. Porém, nos deparamos com um novo problema: como identificar as empresas e produtos que são de fato eco eficientes e impactam positivamente o nosso meio? Para dar uma mãozinha na hora das nossas escolhas é que reunimos os termos mais importantes e assim teremos menos dúvidas na hora de realizar uma compra ou apoiar uma empresa ou iniciativa.   Armário Coletivo Movimento de intervenção urbana criado por Carina Zagonel que utiliza armários para transformar espaços públicos e criar novos hábitos de consumo. Eles são construídos a partir de materiais coletados nas ruas, produzidos com a ajuda da própria comunidade. E ficam abertos 24 horas por dia. As únicas regras para usá-los são: Deixe o que gostaria de receber, cuide como se fosse seu e compartilhe o que quiser.   Armário Compartilhado  Acervo circular de roupas que cobra dos usuários um valor proporcional ao número de peças que desejam “alugar” por determinado período. As peças retornam após sua locação seguindo padrões de higiene e conservação estabelecidos pela empresa.  E alguns casos os clientes realizam doações para o acervo aumentando assim a variedade e gerando uma nova forma de monetização do seu próprio guarda-roupas.   Artesanato Trabalho manual ou produção de um artesão onde ele realiza todas as etapas da produção, desde o preparo da matéria-prima, até o acabamento.   Artesanato Tradicional Brasileiro Prática desenvolvida por populações tradicionais que utilizam o potencial produtivo dos oito biomas (fauna e flora típicas das diferentes regiões do país), para criar bolsas, acessórios e demais produtos com matérias-primas, como palha de milho, capim dourado, sisal e sementes diversas. Os mercados de moda, beleza e design, podem apoiar o artesanato tradicional, auxiliando a geração de renda local e a conservação desses saberes.   Ativismo Fashion Em vista das mudanças climáticas, do esgotamento dos recursos naturais e outros problemas socioambientais conectados à indústria de produção e consumo, existem designers que usam a moda para manifestar, exigir e criar mudanças, através do trabalho de engajamento entre estilo e ativismo. Já no âmbito dos movimentos sociais, o Fashion Revolution, originado na Inglaterra e presente hoje em diversos países, empodera o consumidor com informações e incentivos, para que ele exija uma cadeia produtiva mais honesta e transparente.   Biomimética Estudo das estruturas biológicas e das suas funções para, assim, aprender com as estratégias e soluções da natureza. E aplicar esse conhecimento em diferentes domínios da ciência, como engenharia, biologia, design, administração, medicina, futurismo e tecnologia, entre outras.   Biojoias   Acessórios artesanais produzidos com materiais orgânicos de origem vegetal ou animal, como sementes, folhas, capins, madeiras, cascas de coco, escamas, couro, pedras naturais, etc . A coleta dos materiais pode seguir princípios do manejo sustentável ou derivar da reutilização de resíduos da indústria. Possuem acabamento de ótima qualidade e podem utilizar técnicas de ourivesaria.    Consumo Consciente Consumir com o melhor impacto: consumir melhor e diferente, sem excessos, para que todos vivam com mais bem-estar hoje e no futuro, considerando o impacto no ambiente, na economia e na sociedade segundo o Instituto Akatu .   Consumo Ético Consumo “social e ambientalmente responsável”, em outras palavras, trata-se de comprar, consumir, tendo em vista o impacto desse consumo no longo prazo em relação às demais pessoas e ao meio ambiente.   Coolhunting  Pesquisa de tendências aplicada a moda com base na observação de aspectos do cotidiano.   Compra com Propósito Modelo de negócios que reverte parte do lucro de uma venda para a prática de benefícios sociais ou ambientais, como o plantio de árvores. Um formato adotado por algumas marcas é o "compre um, doe um", quando a venda do produto internaliza os custos de outro similar, que será "automaticamente" encaminhado para uma instituição carente.   Cosméticos Naturais Produtos de beleza isentos de elementos químicos danosos, como óleos minerais, fragrâncias sintéticas, derivados do petróleo e alguns conservadores, como o parabeno. Contém uma quantidade significativa de ativos naturais e podem incluir vitaminas e oligoelementos antioxidantes obtidos de extratos vegetais. Geralmente são produzidos com respeito à ética socioambiental, desde a obtenção da matéria-prima até a elaboração da embalagem, e podem ter certificação de selos como Ecocert e IBD - o que irá prever critérios específicos de qualidade.   Cradle to Cradle Ou berço ao berço, é um conceito de design desenvolvido por William McDonough e Michael Braungart. A proposta é a não geração de resíduos no processo de produção e consumo dos produtos, inspirada nos sistemas de fluxo de nutrientes da natureza em que nada é desperdiçado e não existe um fim, pois com o término de um ciclo outro se inicia. Os objetos são reutilizados por completo e retornam sempre com qualidade igual ou superior à anterior, não necessariamente no mesmo produto. Já os materiais que realmente não possuem forma de reutilização – os chamados híbridos monstruosos – seriam armazenados em depósitos seguros até o desenvolvimento de tecnologias que permitissem seu uso novamente.   Cruelty Free Selo americano que certifica produtos elaborados sem a realização de testes em animais - prática liberada na China, banida na Europa e optativa no Brasil - ou qualquer forma de crueldade ao longo da cadeia industrial de fornecimento. Tornou-se um lema ativista pelos direitos dos animais.   Customização  Personalizar e/ou adaptar uma peça de roupa com o objetivo de diferenciá-la e criar o seu próprio estilo a partir de seus gostos e interesses pessoais sem alterar sua função original. Defendida na cultura do Do It Yourself utiliza diferentes técnicas que envolvem tingimentos, lavagens, aplicação de pedrarias, patchs, cortes inovadores, costuras que criam texturas etc.   Do It Yourself/ Diy Ou Faça Você Mesmo (em português) é o termo utilizado para se referir a uma “filosofia de vida” na qual seus adeptos procuram evitar a compra de novas peças de roupa, customizando aquelas que já possuem no armário e/ou confeccionando as suas próprias.   Ecojoias São acessórios artesanais com perfil mais urbano, produzidos com resíduos de origem industrial, como cápsulas de café, linhas de pesca, anéis de lata, plástico de garrafas PET, componentes eletrônicos descartados, etc.   Ecofriendly   Significa produção amigável ao meio ambiente e funciona como um selo para as marcas que investem em processos e produtos que agridem menos a natureza, reciclam, reduzem o consumo de água e a liberação de gases do efeito estufa. São bons exemplos a produção de malha PET (a partir das garrafas plásticas), o jeans sustentável, o algodão desfibrado (produzido a partir de resíduos de malha que sobram do processo produtivo), algodão orgânico, tingimentos naturais, biodegradáveis e de fontes renováveis, redução de pegada de carbono produzindo localmente.   Economia Circular O conceito propõe que o valor dos recursos extraídos e produzidos seja mantido em circulação através de cadeias produtivas integradas. A economia circular gera benefícios estratégicos e operacionais, além de um grande potencial de inovação, geração de empregos e crescimento econômico. Este modelo C2C (Cradle to Cradle) está começando a redesenhar a indústria da moda, transformando-a em uma cadeia criativo-produtiva que trabalha pelas pessoas e pelo ambiente.   Fairtrade Proposto pela Organização Mundial do Comércio (OMC), é um movimento definido como uma parceria comercial, baseada em diálogo, transparência e respeito, possuindo o objetivo de aumentar a receita dos produtores buscando maior equidade no comércio por meio de condições de troca e garantia dos direitos. Com ele é possível garantir a liberdade comercial independente das leis de mercado impostas pelos países desenvolvidos. Para um produto ser considerado fair trade , ou troca justa, é necessário seguir diversas regras estipuladas pelo Fair Labor Association (FLA) , ou Associação do Trabalho Justo . São elas: normas e guias que garantem salários justos, segurança de trabalho, ambiente livre de assédio, e o direito de lutar coletivamente por condições que oferecem a estrutura necessária para desenvolver rendimento justo e aumento de posição social. A maior parte das ações de trabalho fair trade na moda estão localizadas em comunidades em zonas de risco social na África e Ásia.   Fashion Revolution Conhecido como a Revolução da Moda, é um movimento criado por um conselho global de líderes da indústria da moda sustentável que se uniram depois do desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, no dia 24 de abril de 2013, que deixou mais de mil mortos e 2500 feridos. Lá funcionavam oficinas de costuras que empregavam pessoas em condições análogas à escravidão. Seu objetivo é aumentar a conscientização sobre o verdadeiro custo da moda e seu impacto socioambiental em todas as fases do processo de produção e consumo, envolvendo consumidores, marcas, produtores, vendedores, universidades e alunos.    Fast Fashion A moda rápida é uma prática que atrai grande escala de consumidores graças à atualização constante do design de suas peças e aos baixos preços de seus produtos. Desta forma, empresas de moda e redes de distribuição tornam a linguagem de moda democratizada. Os principais objetivos do fast fashion são que o consumidor encontre sempre informação nova de moda e que este produto esteja adaptado ao gosto e necessidades do cliente. Estes objetivos acabam por fazer o consumidor comprar mais.   Feito À Mão Produtos feitos à mão valorizam a produção individual de cada peça e representam uma moda mais lenta, exatamente o oposto do fast-fashion de hoje.  Marcas e empresas que valorizam o produto feito à mão também colaboram para que técnicas manuais tradicionais continuem sendo perpetuadas através de novas gerações de artesãos.   Greenwashing Prática adotada por empresas e marcas, em geral para desviar a atenção do impacto socioambiental negativo gerado pelo seu processo produtivo. Acontece quando marcas se apropriam de discursos “sustentáveis / eco friendly / verde / green / ambiental ou socialmente corretos” em suas estratégias de comunicação e marketing sem aplicar medidas reais e práticas que efetivamente demonstrem seu engajamento com os princípios divulgados.   Handmade   Aquilo que é feito à mão, de forma artesanal e sem nenhum processo industrial.   Impacto Social Ações realizadas por empresas que oferecem produtos e serviços que diminuam ou eliminem barreiras de acesso a bens e serviços essenciais; que facilitem a proteção de bens conquistados e a antecipação ou prevenção de riscos futuros; que atuam no aumento das oportunidades de emprego estável ou na melhoria das condições de trabalho do microempreendedor; que promovam oportunidades para que pessoas de baixa renda fortaleçam seu capital humano e social; que contribuam para o fortalecimento da cidadania por meio de produtos e serviços essenciais para uma qualidade de vida digna. Trata-se de um pressuposto para se construir o chamado “capitalismo consciente”.   Lavagem Ecológica Técnica realizada em tinturarias ecologicamente corretas e/ou certificadas, que utilizam água em ciclo fechado, tratam o efluente gerado e usam químicos menos impactantes para lavar e amaciar. O maior consumo de água relacionado às roupas está ligado às lavagens caseiras, portanto é recomendável o uso de sabões em pó com tensoativo biodegradável, ou sabões de coco.   Lowsumerism Termo vindo da união de palavras low + consumerism, com o significado de baixo consumo, ou consumo equilibrado. O conceito proposto pela agência de pesquisa de tendência Box 1824 incentiva consumir menos e repensar o consumo como um todo. Além disso, o movimento também aponta o consumo desmedido como o causador de diversos males do século, por incentivar a comprar objetos e até modos de vida com a promessa de nos sentirmos felizes. Assim, faz parte do movimento, pensar no impacto ambiental do que você consome também.    Made Local Incentivar o “made local”, ou seja, o feito local, é uma das formas mais fáceis de aderir ao movimento de moda ética e consciente. Isso porque é muito simples saber se uma empresa produz no seu próprio país, basta olhar na etiqueta.   Mão-De-Obra Social Remuneração justa de frentes produtivas compostas por pessoas de menor renda - como integrantes de comunidades, artesãos tradicionais ou detentos em processo de inclusão - assim como o investimento do contratante em benefícios, capacitação e estímulo à autonomia da equipe. É um pilar essencial desse novo paradigma produtivo na moda.   Minimalista  Segmento incorporado ao design de moda que utiliza o mínimo de recursos na criação a partir da ideia do “menos é mais”.   Moda Atemporal  Peças de roupas produzidas sem a imposição do tempo ou de uma tendência, ou seja, uma peça que pode ser usada por um período ilimitado. A moda atemporal é feita por marcas com processo produtivo mais sustentável, econômica, ambiental e socialmente, para pessoas que buscam consumo consciente e que preferem produtos com maior tempo de vida, tanto na durabilidade como no design do material. Peças atemporais costumam ter uma identidade forte, tudo a ver com quem tem uma forma singular de construir sua aparência. Também podem estar relacionadas à adoção de um guarda-roupa cápsula, com menor quantidade de peças que combinam entre si. Não ficam "fora de moda" por conta de fatores como mudanças de tendência ou estação. Não seguem as influências do mercado de fast fashion, e representam uma solução mais perene e duradoura. Em geral, não possuem estampas e utilizam materiais de alta qualidade, para que possam se manter úteis por um longo tempo.   Moda Circular Segue os princípios da Economia Circular e promove o desenho de produtos duráveis, que agregam soluções para sua gestão correta ao final do ciclo de vida. Prevê a máxima utilização e circulação de produtos, componentes e materiais, a partir de estratégias de design e negócios que promovam manutenção e reparo, compartilhamento, reuso, aluguel, redesign e uso "em cascata" entre outros setores.   Moda Consciente Inspirada no termo "consumo consciente", faz referência ao consumidor engajado, que busca por informações sobre a indústria de moda e os produtos alinhados com a redução de impactos; e ao segmento de mercado que produz de acordo com esse olhar mais coerente, preocupa-se com a transparência e o estímulo à reflexão.   Moda Ecológica Práticas de produção e consumo que reduzem o impacto da cadeia de moda no ambiente natural. Inclui o manejo e extração mais sustentável de matérias primas, a utilização de insumos produtivos atóxicos e biodegradáveis, o tratamento de efluentes, a redução e neutralização de emissões atmosféricas, a informação para o descarte correto; e, indiretamente, o estímulo à reutilização, e outras medidas que visam o equilíbrio ambiental.   Moda Sustentável A moda sustentável, num conceito amplo de sustentabilidade, envolve soluções que priorizam economia circular, perda zero de insumos ( no waste ), baixo uso de água, preço justo, boas condições de trabalho e oportunidade de trabalho a minorias, entre outras. O que ela entrega é um produto de alta qualidade e durabilidade, estimulando o consumo consciente.   Orgânico Obtidos nos sistemas agrícolas baseados em processos naturais, que não agridem a natureza e mantém a vida do solo intacta. Nos dois últimos anos, o mercado de orgânicos tem crescido em média 20%, no Brasil, fruto da demanda dos consumidores por um estilo de vida mais saudável e sustentável. Devem que seguir diretrizes rígidas de certificações como USDA ou IBD que atestam, basicamente, que o produto é produzido da maneira mais natural possível. O algodão orgânico, por exemplo, é livre de transgênicos, pesticidas e outros tóxicos, e costuma ser regado através das chuvas, consumindo bem menos água do que o algodão tradicional. Além disso, durante o processo de produção do tecido não são usados químicos e outros produtos tóxicos.  Produtos feitos com matéria-prima orgânica também garantem uma série de outras regras que tem a ver com boas condições de trabalho, produção responsável e que incentiva a preservação de todo ecossistema local.   Orçamento Aberto Conduta da empresa que decide expor ao consumidor os custos envolvidos na produção de suas peças. A medida torna públicos os custos por produto específico e os gastos fixos da marca. Isso inclui valores referentes a matéria prima, remuneração de artesãos e designers, e despesas com marketing, por exemplo. Segue o princípio de que a transparência reforça a confiança do consumidor e os laços produtivos da empresa.   Pegada de Carbono O índice Pegada de Carbono mede o impacto das atividades humanas na natureza, a partir da quantidade de gases do efeito estufa (GEEs) emitida, convertida para o dióxido de carbono (CO2). A emissão desses gases contribui para o aquecimento global. A indústria da moda é uma das mais poluentes do mundo e o movimento de marcas que repensam seus processos é crescente, com vistas a reduzir seu impacto ambiental.   Peças Multifuncionais Correspondem às roupas e acessórios que possibilitam várias formas de uso, tanto em termos de modelagem - um vestido que ganha decotes diferentes, dependendo de como for amarrado, por exemplo - ou de versatilidade para criar composições - uma calça que pode ser usada com tênis, para uma caminhada, ou com sapato de salto, para sair à noite.   Produto Rastreado Produtos de origem transparente e certificada, elaborados de acordo com práticas sustentáveis ao longo de sua cadeia produtiva. Depende de metodologias que calculam a quantidade de recursos naturais utilizados ou mesmo a estimativa da emissão de gases na atmosfera, até chegar nas mãos do consumidor. As marcas que investem no rastreamento de seus produtos, se mostram ativas e conectadas.   Redesign Na indústria têxtil, o conceito associa-se ao ato de repensar e recriar peças com base naquelas já existentes e pode ser considerada como a versão comercial da palavra customização. Saindo do âmbito pessoal, a expressão está ligada às práticas do mercado e de profissionais da moda para beneficiar empresas, consumidores e a sociedade com técnicas criativas de aproveitamento e reutilização de peças “encalhadas”.    Reciclagem Produtos reciclados reutilizam material que foi descartado, evitando que seja inutilizado em lixões ou na natureza. A reciclagem transforma materiais descartados e pode envolver processos químicos e físicos nesta transformação.   Reciclado Produtos reciclados colaboram para reduzir o número de lixo no mundo. Pode-se transformar garrafa pet em jeans e outros tecidos para moda, e reutilizar o algodão de peças antigas em novos tecidos de algodão. Isso sem contar em outras possibilidades menos comuns, como a de transformar borracha usada em sola de sapato, processo esse que é, inclusive, utilizado aqui pela Insecta.   Reuso Reuso, na moda, está associado a brechós e lojas online que vendem exclusivamente peças de segunda mão.    Reutilização Aproveitar novamente um produto ou componente, seja para a mesma função, ou uma nova, adaptada. O produto não necessariamente está em seu ciclo final de vida. Pode utilizar técnicas de redesign ("redesenho") e customização.   Sem Gênero Na moda, são roupas que podem ser utilizadas tanto por homens quanto por mulheres. Como o nome diz, não há distinção de gênero.   Slow Beauty Conceito de beleza consciente que se preocupa com a procedência dos produtos de higiene e beleza. Evita agentes químicos, industrializados e componentes sintéticos, preocupa-se com o comércio justo durante a toda a cadeia, desde a concepção até a entrega do produto. Como por exemplo, se eles são testados em animais ou    Slow Fashion Abordagem diferente do processo criativo-produtivo da moda: preço justo, produção local e modelo sustentável, econômica e ambientalmente. Provoca uma reflexão sobre o consumismo desenfreado de produtos da moda. O menos prevalece e as pessoas são estimuladas a consumir conscientemente, buscando conhecer a procedência das peças que adquirem no mercado e fazendo as melhores escolhas de compra e descarte. Essa alternativa promove a consciência socioambiental, além de contribuir para a confiança entre produtores e consumidores. Os preços são mais reais e incorporam custos sociais e ecológicos. A produção é entre pequena e média escala.   Tecidos Sustentáveis Não possuem produtos tóxicos a pele humana em sua composição, fazem uso sustentável da água industrial no processo de tinturaria e estamparia, permitindo assim a utilização de água de reuso e evitando o consumo de água potável. Asseguram a origem das matérias naturais que utilizam, garantindo sua qualidade e não poluição do solo desde a sua plantação.    Tingimento Natural O uso de corantes naturais para o tingimento têxtil tem impacto positivo ambiental e social: além de respeitar a natureza pelo uso adequado de matéria-prima, também pode proporcionar projetos de economia solidária em comunidades locais. No Brasil, por exemplo, muitas plantas tintoriais são usadas há séculos em comunidades indígenas. Já existem estudos sobre o tema em respeitadas universidades brasileiras e marcas que adotam corantes naturais na totalidade ou em algumas de suas linhas de produtos.   Tecidos de Fios Refibrados Permite que resíduos têxteis - também conhecidos como retalhos - sejam desfibrados e reutilizados. Se as fibras são dispostas aleatoriamente, sem distinção de material, formam mantas (chamadas de não-tecido) que podem ser usadas como isolamento acústico ou virarem cobertores, por exemplo. Quando a composição do desfibrado é de 100% algodão, este é destinado à fiação, para se tornar barbante ou compor novos tecidos.   Tecidos Tecnológicos Tecidos desenhados para trazer soluções a fatores como a sustentabilidade ambiental, eficiência produtiva e durabilidade. Podem ser feitos de celuloses, camurças vegetais, polímeros de fontes renováveis, compósitos mistos, poliamidas aprimoradas, etc. São geralmente criados em laboratórios de inovação e tem ainda pouquíssima vazão no mercado.   Upcycling  Processo que consiste na criação de roupas a partir da transformação de roupas e tecidos já existentes. Sem tradução para o português, o upcycling é o método de transformar materiais que já existem em produtos novos, mas sem que eles precisem passar por um processo de reciclagem. Usar tecidos de roupas antigas para fazer sapatos, transformar lonas de guarda-chuvas em forros de bolsas, transformar retalhos de roupas em colchas coloridas e novinhas. Isso atribui maior valor agregado a trapos de tecidos, peças de roupa fora de uso e componentes em geral, considerados resíduos, permitindo que "subam no ciclo". Geralmente altera a função original do produto e agrega elementos de baixo impacto que facilitarão sua posterior reciclagem, como etiquetas de tecido biodegradável, linhas de algodão e tingimento natural.   Vegano Produtos que visam bem estar social para humanos, não-humanos e meio ambiente através de uma relação harmoniosa estabelecida com base no respeito e que não levam nenhum tecido ou matéria-prima de origem animal.   Zero Waste Ou Desperdício Zero prega por práticas de vida mais sustentáveis que geram a redução de resíduos a partir da diminuição do consumo. Nesse conceito, a moda entra como um modelo de produção sustentável. O processo de design “zero waste” oferece uma alternativa de produção mais limpa, visando à minimização do desperdício já nas fases de design e modelagem, proporcionando nova abordagem ao desenvolvimento de produtos, tornando a produção mais limpa e diminuindo seus impactos ambientais, visando o conceito sustentável do slow fashion.   Fontes: William McDonough, Michel Braungart “Cradle to Cradle: remaking the way we make things”. Elena Salcedo. “Moda Ética para um futuro sustentável” Alison Gwilt. “Moda Sustentável” Lucy Siegle. “To die For – Is Fashion Wearing Out The World?”  
02/07/2019
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